Neste caso, é preciso antes considerar se esse corte vai compensar o eventual aumento no índice de perdas.

“É necessário avaliar qual o impacto dessa decisão no aumento de perdas ou mesmo em uma possível diminuição de vendas, devido à necessidade de confinar produtos de alto risco”, alerta Gilberto Quintanilha gerente de Prevenção de Perdas da Tyco Integrated Security.

E para explicar em detalhes o que isso significa, Quintanilha simula o exemplo de um varejista que mantém um estoque de 5 milhões de peças, protege 5% desse total com etiquetas de alarme e confina 2% do estoque (produtos de alto risco). Nesses parâmetros, esse varejista possui uma perda média de mercado de 2,98%, índice de perdas baseado em estudo da ABRAS.

Com base em projetos anteriores, as análises comparativas entre inventários antes e depois da aplicação de antenas e etiquetas de alarme, concluem que nos itens protegidos por tais etiquetas há uma redução de perda média de 35%. E mesmo em produtos sem proteção, mas próximos aos produtos protegidos, é identificada uma redução de 10% na perda, atribuída à ação inibidora das antenas e a aplicação de proteção nos 5% já mencionados.

No cenário acima, o varejista poderia economizar algo em torno de R$23.000,00 com a redução de 50% da compra de etiquetas de alarme dos produtos já protegidos (5%). Contudo, se esse valor for mantido, o ganho resultante da diminuição das perdas pode chegar a R$160.000,00. E ainda pode haver um aumento aproximado de vendas de R$52.000,00 ocasionado pela maior exposição de itens até então confinados (2%), totalizando um ganho estimado de R$ 212.000,00.

Porém, também fica evidente que, quanto maior o nível de proteção, maiores serão os ganhos relacionados à redução de perdas e aumento de vendas. Consequentemente, melhor a rentabilidade.

E ele observa alguns pontos que também devem ser considerados. Um deles é a importância de comparar os resultados de inventários dos produtos que recebem proteção atualmente para identificar os resultados gerados. Outro é a necessidade de mapear produtos que, se protegidos, apresentarão menores índices de perda. Um terceiro ponto importante para diminuição de custos operacionais e aumento de produção ou mesmo de venda é a atuação junto aos fornecedores para viabilizar a aplicação de tais alarmes já na fábrica/indústria, o que poderia gerar diminuição de custos operacionais. E finalmente vale lembrar que a proteção na origem possibilitará que o investimento em alarmes seja direcionado de forma a proteger produtos que tiveram um aumento de perda em inventários anteriores (totais ou parciais).

“Mesmo em momentos onde a ordem é diminuir despesas/investimentos, a análise de cenários variados permitirá uma tomada de decisão mais concisa e segura, podendo assim gerar resultados que permitam a maior rentabilidade do negócio,” finaliza Quintanilha.

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Diante da diminuição do nível de proteção dos produtos, é comum encontrar produtos de alto risco (PAR) confinados em grandes redes supermercadistas. Dentre os resultados dessa tomada de decisão, estão o aumento das rupturas, a perda de clientes e a insatisfação no atendimento. “Produtos de higiene pessoal, como protetor solar, desodorante e lâmina de barbear, estão cada vez mais suscetíveis aos furtos. As carnes nobres como picanha e contrafilé também são produtos com tíquete médio alto que ocupam destaque nas perdas”, comenta Sandra Menezes, gerente de Proteção na Origem da Tyco Integrated Security.

“Uma gestão eficiente de prevenção de perdas seria categorizar os itens PAR de acordo com seu número de furtos e a partir dessa lista focar nos 80% mais furtados com soluções como a proteção na origem”, conclui Sandra.

De acordo com a executiva, há ainda o problema do mercado paralelo de etiquetas de baixa qualidade. Além de não proteger o produto, essas etiquetas podem causar danos à embalagem e ao consumidor, e representam um grande problema para os varejistas, já que muitas vezes são colocadas em cima de informações importantes dos rótulos.